Música
eletrônica e funk carioca conquistam os baianos
Waldomiro Júnior
Nem axé, pagode, frevo
ou forró. Acostumados a exportar ritmos para o país e até mesmo para
o mundo, os baianos se renderam, neste carnaval, à música eletrônica
dos DJs paulistas e ao compasso agressivo do funk carioca.
Nos dois primeiros dias da festa, o funk "Tigrão"
disputou com "Tapa na cara", hit da axé-music, o privilégio
de ter sido a música mais tocada pelos trios.
- A Bahia é isso. Nós misturamos
tudo - disse o compositor Carlinhos Brown.
A mistura não ficou apenas na música,
as coreografias dos bailes funk também foram importadas pelos
baianos.
DJ fará dobradinha com Daniela
Mercury
Os DJs animam os luxuosos camarotes
instalados ao longo do circuito da orla. Alguns deles, a partir
de hoje, vão sair das pistas de dança para o palco dos trios elétricos,
numa fusão do som eletrônico com os ritmos baianos. Um deles, o
DJ Marcos Almeida, vai fazer dobradinha com a rainha da axé-music,
Daniela Mercury.
- É uma experiência que energiza
ainda mais a nossa música - disse Daniela.
O gosto dos baianos pela música eletrônica
e o funk carioca começou muito antes do carnaval. Os dois
estilos se consagraram como o ritmo do verão baiano.
- As coisas por aqui são sempre muito
vivas e há muito tempo eu queria sentir de perto essa energia -
explica Sandra de Sá, uma das precursoras do funk carioca,
que este ano, pela primeira vez, participa do carnaval baiano, a
convite de Margareth Menezes, uma das estrelas da axé-music.
O carnaval baiano terá ainda outros
estilos, como o do tropicalista Tom Zé, o forró, o brega, o sertanejo
e o rock. Nana Caymmi, por exemplo, filha de Dorival Caymmi, estreará
num trio elétrico, acompanhada pelos irmãos Dori e Danilo, que sempre
estiveram muito mais próximos da bossa nova do que da música baiana.
Além do funk, o rock carioca
também marcou presença no carnaval baiano. A cantora e compositora
Marina Lima subiu no trio elétrico de Gilberto Gil, o Expresso 2222,
ao lado de Jorge Benjor, na madrugada de ontem, no circuito da orla.
Gil entrou na avenida cantando com Marina uma versão carnavalesca
de um sucesso dela, "Vem chegando o verão".
Atraso leva foliões a atacarem
trio elétrico
Jorge Benjor também fez a festa dos
foliões cantando seu sucesso "País tropical", num aquecimento
para as apresentações de Daniela Mercury e Margareth Menezes, também
convidadas de Gil. Mas a grande estrela foi o anfitrião, que apresentou
uma seleção de antigos sucessos e surpresas, como "Rock around
the clock", que ganhou uma batida afro-brasileira.
Um dos mais tradicionais blocos afro-baianos,
o Olodum enfrentou a ira dos seus foliões. Revoltados com o atraso
de mais de oito horas na saída do bloco, eles atiraram latas de
cerveja e garrafas de água mineral sobre o trio elétrico do bloco,
que só não foi destruído devido à interferência da polícia.
O atraso foi motivado por uma decisão
do Escritório Central de Arrecadação e Distribuição (Ecad), que
conseguiu na Justiça uma autorização para impedir a saída do bloco
no carnaval, por conta de dívidas de direitos autorais não pagas.
O valor da dívida não foi revelado, mas, após quatro horas de negociações,
dirigentes do Ecad e do bloco chegaram a um acordo e o Olodum pôde
desfilar.
Outro tradicional bloco afro, o Malê
de Balê, ocupou as ruas do circuito Campo Grande-Praça da Sé. O
bloco saiu sem as cordas que isolam os foliões do público. No lugar
das fantasias, todos os seus componentes vestiam camisetas brancas
com desenhos afros simbolizando a paz.
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