Beija-Flor enfeitiça a Sapucaí 

Foto de Alaor Filho e Cezar Loureiro

A Beija-Flor fechou o primeiro dia de desfile do Grupo Especial na Marquês de Sapucaí levando o público ao delírio com a saga de Agotime, uma rainha africana trazida como escrava para o Brasil. A energia e a vibração do ótimo samba enredo deixaram o público deliciado. A escola entrou na Sapucaí com o dia amanhecendo e já sob gritos de "É campeã, é campeã!". E saiu da Praça da Apoteose da mesma forma: ovacionada pelo público. 

Foto Domingos PeixotoEra uma Beija-Flor negra e cheia de rituais de fé, que pediam proteção e paz aos espíritos dos antepassados africanos. À frente da bateria, dois atabaques. No segundo carro da escola, Feitiçaria, todo vermelho e preto, com uma enorme cabeça de bode, estavam acesas velas de verdade.  

Foto de Cezar Loureiro
O jogador de futebol Zico, o ator Edson Celulari e a atriz Cláudia Raia participaram do desfile.  

 

 


Rainha se transforma em pantera 

Julia Sant'Anna

Yara Barboza, bailarina da Escola de Dança Maria Odeniva, de 19 anos, representava Agotime, a rainha africana que veio escravizada para o Brasil, na comissão de frente da Beija-Flor. Yara foi convidada por uma colega do corpo de baile para encenar a transformação da sacerdotisa em pantera por ser a única negra no grupo. A transformação era perfeita. Coberta pelas fantasias das outras integrantes da comissão, a rainha se despojava de seu manto real e reaparecia como pantera negra. A fantasia de rainha era retirada por três das componentes da comissão, que não revelaram mais detalhes sobre como a troca era feita. "Só posso dizer que deu muito trabalho", contou a coreógrafa Gislaine Cavalcanti.


Mar que dança é destaque no desfile

Tiago Campante

Foto de Leonardo AversaSetecentos sambistas, todos negros, reproduziam na Beija-Flor o balanço do mar e o movimento da embarcação que trouxe a Rainha Agotime para o Brasil. Vestindo adereços preto e brancos e enfeites de palha, quase todos desfilaram descalços. A única exceção era a própria Agotime, representada com destaque no carro alegórico por Renata Pascoal, moradora de Nilópolis.

- É um cortejo real - explicou Ubiratã Silva, um dos cinco carnavalescos da escola.

Os ensaios da dança começaram em novembro. Aplaudida por toda a avenida, a ala teve seu desfecho de ouro quando foi ovacionada já na Apoteose.

-A gente repetiu a coreografia em frente à arquibancada da Apoteose porque é um público que só vê um pedaço do desfile - explicou o coreógrafo da ala, Vagner Ramos - Se Deus quiser vamos sair por último também no desfile das campeãs - acrescentou, confiante no título.