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Imperatriz,
de verde e rosa, sonha com o tricampeonato

A
Imperatriz Leopoldinense fez mais um desfile técnico e perfeito,
o que a deixa na posição de forte candidata a levar o tricampeonato
este ano. Mesmo com o profissionalismo, a escola não esquentou a
Sapucaí com o seu desfile sobre a cana-de-açúcar. O ponto alto do
desfile foi a ousada homenagem a Carlos Cachaça - idealizador da
Mangueira, a primeira campeã do carnaval. Os componentes da escola
desfilaram usando o verde e rosa tradicional da Estação Primeira.
O sambista foi representado pelo cantor Elymar Santos. A carnavalesca
Rosa Magalhães incluiu, entre outras, a ala das baianas e a bateria
da Mangueira, e fez referências até mesmo às flores da música "As
rosas não falam" de outro mangueirense célebre, Cartola.

As
150 baianas da Imperatriz vestiam as mais caras e luxuosas fantasias
da escola este ano. Cada figurino tinham cerca de 640 conchas aplicadas,
num delicado trabalho de artesanato. A confecção foi tão trabalhosa
que as próprias baianas auxiliaram as costureiras, para que tudo
ficasse pronto a tempo.

Quando a Imperatriz
virou Mangueira

Julia Sant'Anna
Tentando o tricampeonato, a Imperatriz Leopoldinense
encerrou o desfile deste ano prestando uma homenagem a uma das grande
figuras de uma de suas concorrentes. Carlos Cachaça, um dos fundadores
da Mangueira, foi lembrado nas cinco alas finais do desfile e no
carro que levava a maior personalidade da escola, o cantor Elimar
Santos.
Uma segunda comissão de frente abriu o mini-desfile
mangueirense, idealizado pela carnavalesca Rosa Magalhães. Os 12
componentes vestiam capas de quase três metros, lembrando uma comissão
de 1978 da escola verde e rosa. "Os movimentos serão poucos
e simples, como naquela época", antecipou Carlos Eduardo Brandão,
um dos integrantes, antes do desfile.
Pode parecer estranha uma Imperatriz verde
e rosa, mas para alguns componentes é uma honra. "Já desfilei
vestido de tantas outras cores. E além do mais, a Mangueira é a
síntese do samba, todo mundo sabe", explicou Carlos, que há
oito anos desfila pela Imperatriz.

Madrinha Luiza
Brunet adia aposentadoria
Nara Franco
Ela
chegou sem chamar muita atenção na concentração da Imperatriz Leopoldinense.
Mas logo, o burburinho tomava conta das alas. "Olha lá, não
é a Luiza?", era a frase mais ouvida.
Sim, era ela. A ex-modelo Luiza Brunet, a madrinha
da bateria da bicampeã Imperatriz, apareceu sem muitos aparatos.
Acompanhada do marido e mascando um
chiclete, ela disse que, apesar da experiência em
desfiles, sente um frio na barriga todas as vezes que chega na Sapucaí.
Pausa para fotos, autógrafos e acenos. Simpática, atende a todos.
Clima de despedida no ar? "É
ruim!", ela vai logo anuniciando. "No ano que vem estou
aqui de novo".
Afinal, são
vinte anos de avenida. A
anunciada aposentadoria fica para outro carnaval.

Impecável, mas
antipática
Tiago Campante
Vencer campeonatos ultimamente não vem sendo
um problema para a Imperatriz: tanto é que a escola bicampeã pode
conquistar o tricampeonato nesse ano - o primeiro na história do
Sambódromo. Mas vencer a resistência do público na Marquês de Sapucaí
ainda é difícil: no início do desfile, até mesmo algumas vaias foram
ouvidas. E nem a homenagem a Carlos Cachaça e uma série de alas
em verde e rosa levantaram a massa. As bandeiras nas mãos do público
já eram as da Mangueira e só começaram a tremular de verdade quando
a verdadeira verde e rosa apontou na concentração.

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