Imperatriz, de verde e rosa, sonha com o tricampeonato

Foto Marcia Foletto

 

A Imperatriz Leopoldinense fez mais um desfile técnico e perfeito, o que a deixa na posição de forte candidata a levar o tricampeonato este ano. Mesmo com o profissionalismo, a escola não esquentou a Sapucaí com o seu desfile sobre a cana-de-açúcar. O ponto alto do desfile foi a ousada homenagem a Carlos Cachaça - idealizador da Mangueira, a primeira campeã do carnaval. Os componentes da escola desfilaram usando o verde e rosa tradicional da Estação Primeira. O sambista foi representado pelo cantor Elymar Santos. A carnavalesca Rosa Magalhães incluiu, entre outras, a ala das baianas e a bateria da Mangueira, e fez referências até mesmo às flores da música "As rosas não falam" de outro mangueirense célebre, Cartola.

Foto Gabriel de Paiva

As 150 baianas da Imperatriz vestiam as mais caras e luxuosas fantasias da escola este ano. Cada figurino tinham cerca de 640 conchas aplicadas, num delicado trabalho de artesanato. A confecção foi tão trabalhosa que as próprias baianas auxiliaram as costureiras, para que tudo ficasse pronto a tempo.


Quando a Imperatriz virou Mangueira

Foto Marcia Foletto

Julia Sant'Anna

Tentando o tricampeonato, a Imperatriz Leopoldinense encerrou o desfile deste ano prestando uma homenagem a uma das grande figuras de uma de suas concorrentes. Carlos Cachaça, um dos fundadores da Mangueira, foi lembrado nas cinco alas finais do desfile e no carro que levava a maior personalidade da escola, o cantor Elimar Santos.

Uma segunda comissão de frente abriu o mini-desfile mangueirense, idealizado pela carnavalesca Rosa Magalhães. Os 12 componentes vestiam capas de quase três metros, lembrando uma comissão de 1978 da escola verde e rosa. "Os movimentos serão poucos e simples, como naquela época", antecipou Carlos Eduardo Brandão, um dos integrantes, antes do desfile.

Pode parecer estranha uma Imperatriz verde e rosa, mas para alguns componentes é uma honra. "Já desfilei vestido de tantas outras cores. E além do mais, a Mangueira é a síntese do samba, todo mundo sabe", explicou Carlos, que há oito anos desfila pela Imperatriz.


Madrinha Luiza Brunet adia aposentadoria

Nara Franco

Foto Marcia FolettoEla chegou sem chamar muita atenção na concentração da Imperatriz Leopoldinense. Mas logo, o burburinho tomava conta das alas. "Olha lá, não é a Luiza?", era a frase mais ouvida. Sim, era ela. A ex-modelo Luiza Brunet, a madrinha da bateria da bicampeã Imperatriz, apareceu sem muitos aparatos. Acompanhada do marido e mascando um chiclete, ela disse que, apesar da experiência em desfiles, sente um frio na barriga todas as vezes que chega na Sapucaí. Pausa para fotos, autógrafos e acenos. Simpática, atende a todos. Clima de despedida no ar? "É ruim!", ela vai logo anuniciando. "No ano que vem estou aqui de novo".

Afinal, são vinte anos de avenida. A anunciada aposentadoria fica para outro carnaval.


Impecável, mas antipática

Tiago Campante

Vencer campeonatos ultimamente não vem sendo um problema para a Imperatriz: tanto é que a escola bicampeã pode conquistar o tricampeonato nesse ano - o primeiro na história do Sambódromo. Mas vencer a resistência do público na Marquês de Sapucaí ainda é difícil: no início do desfile, até mesmo algumas vaias foram ouvidas. E nem a homenagem a Carlos Cachaça e uma série de alas em verde e rosa levantaram a massa. As bandeiras nas mãos do público já eram as da Mangueira e só começaram a tremular de verdade quando a verdadeira verde e rosa apontou na concentração.