Com carnaval de paz, Mocidade explode em alegria e criatividade

Foto de Alaor Filho

A Mocidade Independente de Padre Miguel terminou seu desfile ovacionada na Marquês de Sapucaí. "É campeã! Já ganhou!", gritava o público das arquibancadas no final do desfile. Quando o puxador da escola parou de cantar, a arquibancada continuou entoando o samba.

Foto Alaor Filho

Apesar dos atrasos na entrega das fantasias do mestre-sala e porta-bandeira e da bateria, a escola pode obter um bom resultado. A comissão de frente, que teve de desfilar descalça depois que parte dos sapatos foi esquecida no caminhão que trouxe a roupa da escola, espera que os jurados considerem isso um "ato de rebeldia" pela não possibilidade de usarem patins (que era a idéia original para a comissão de frente) e não tirem pontos da escola por considerarem que a fantasia estava incompleta.

O segundo carro alegórico da Mocidade "Casa Limpa, Alma Limpa" (representando um lava-rápido), apresentou um enorme telão com cenas de coisas boas e ruins, do Brasil e do mundo, incluindo cenas de Chico Mendes, Ayrton Senna, Gandhi, entre outros. O baterista e compositor da banda O Rappa, Marcelo Yuka, também saiu na escola. Marcelo, que foi baleado durante um assalto e está paraplégico, foi colocado no terceiro carro alegórico, intitulado "Casa limpa, alma limpa" com a ajuda de um guindaste. Yuka está numa plataforma de pequena altura, desenhada especialmente para receber sua cadeira de rodas.

A verde e branco de Padre Miguel levou ao Sambódromo um mundo sem guerra, onde todos se ajudam e se amam. Igualdade, respeito e amizade são os lemas da escola, que vai pregar uma nova era de harmonia, sem raças ou fronteiras.

Foto Alaor FilhoPouco antes de a Mocidade entrar na Marquês de Sapucaí, o padre Marcelo Rezende Guimarães rezou a Oração de São Francisco de Assis. Padre Marcelo disse que não vai desfilar e que já tinha dado sua contribuição à escola. O público recebeu a Mocidade gritando "já ganhou" e aplaudindo a madrinha da bateria, Mônica Paulo. A fantasia da madrinha chegou atrasada e ela terminou de se arrumar na concentração. Mônica, que aos 33 anos já é avó, disse que seu neto está vendo o desfile em casa.


Campeonato nos pés da comissão de frente

 

Camila Pohlmann

A confusão na comissão de frente, que começou na semana passada, pode tirar da Mocidade pontos importantes que podem ameaçar uma boa colocação no campeonato. Idealizada por Renato Lage, a comissão seria formada por passistas que desfilariam de patins, numa coreografia que encenaria um jogo de hóquei entre o bem e o mal. A Liesa proibiu o uso dos patins, alegando que ficaria caracterizado o uso de rodas - o grupo de patins seria considerado mais uma alegoria.

Como alternativa, Lage optou por mandar fazer sapatos - pretos e brancos, um para cada fantasia. Mas, quis o destino que parte desses sapatos - os pretos - fosse esquecida no caminhão que trouxe a roupa da escola. Sem outra alternativa, os integrantes da comissão acabaram desfilando descalços.

Agora, a escola espera que os jurados considerem isso um "ato de rebeldia" pela não posibilidade de usarem patins e não tirem pontos da escola por considerarem que a fantasia estava incompleta. Além disso, a coreografia preparada para a comissão de frente que deveria usar patins, teve de ser feita com os componentes correndo descalços em certos trechos.