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Natureza,
poder e paz sob as asas da águia da Portela

A
Portela terminou o desfile exatamente aos 80 minutos, depois de
ter se apressado no último quarto para chegar no tempo exigido pelo
regulamento. Para se ter uma idéia da correria, quando completou
uma hora de apresentação, a escola ainda tinha duas alas e um carro
alegórico para entrar na avenida. Na dispersão, o clima chegou a
ficar tenso antes que se tivesse certeza que a escola conseguiria
cumprir o horário. No final do desfile, o alívio tomou o lugar do
nervosismo.

A escola, quinta a desfilar, levou para a Sapucaí o enredo "Querer
é poder", em que celebrou as forças da natureza para mostrar
a relação entre desejo e poder. O enredo explorou nos seus oito
carros, a força do pensamento, da natureza, da mente, da fé, da
magia, do dinheiro, os podres poderes e, por fim, o poder do povo.
A Portela, que amarga um jejum de 16 anos sem levar um título, foi
mais uma escola a abordar a paz. E fez um desfile mais técnico,
mais moderno, com 34 alas e 3.500 componentes.
A
tradicional águia da Portela, no carro abre-alas, foi a maior já
apresentada em um desfile da escola, com 15 metros de cumprimento
por 6 de altura. A águia, inspirada no Palácio do Catete, representa
o poder do Governo.
Uma
outra versão da águia, holográfica, era projetada no chão à frente
do carro que conduz a Velha Guarda. No chão, apresentando os históricos
compositores, Paulinho da Viola cantava empolgado. O cantor e a
velha guarda foram bastante aplaudidos pelos fãs. Outro ex-integrante
voltou à escola de Madureira: Clóvis Bornay, 81 anos, há 30 sem
desfilar na escola, saiu no segundo carro. A técnica de ginástica
Olímpica, Georgete Vidor, que ficou paraplégica depois de um acidente,
desfilou em pé, como referência ao poder da vontade.
A
fantasia da comissão de frente da Portela foi baseada nos figurinos
do filme "O homem da máscara de ferro", com Leonardo de
Caprio, enquanto a ala das baianas representava o poder da criação.
No carro "Podres poderes", o carnavalesco Alexandre Louzada
usou mísseis para falar do poder da destruição. A escola também
mostrou todos os elementos da natureza - ar, água, fogo e terra
- nas alegorias.
Pouco
antes do desfile, o quinto carro, "Mágicos poderes", teve
um de seus braços presos em uma árvore na avenida Presidente Vargas
e foi desmontado. Para não prejudicar a apresentação, uma ala foi
adiantada até que o carro pudesse entrar na avenida.

Paulinho da Viola
e velha guarda da Portela

Nara Franco
A reverência é total. Paulinho da Viola veio
à frente da famosa águia da escola de Madureira. Elegante e sereno,
Paulinho era aplaudido, saudado e homenageado. Na águia, a velha
guarda, tão reverenciada e homenageada quanto o sambista. O amor
pela escola foi até o úlimo minuto do desfile. Paulinho não deu
entrevistas até a bateria ultrapassar a linha final, em exatíssimos
80 minutos. Tia Surica não agüentou. Desceu do carro e, na pista,
comandou a escola de seu coração:
- Estou emocianada demais. Sou portalense
até morrer.

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