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Sapucaí vira auditório
de TV
com Silvio Santos na Tradição

O samba da Tradição estava na boca do público
antes mesmo de a escola entrar na Sapucaí. Silvio Santos, o homenageado
da noite, desfilou no alto do carro abre-alas e ensaiou passos tímidos.
Silvio mostrou todo o seu carisma enquanto passava na avenida. Sorriu,
cantou e fez a Sapucaí lembrar um programa de auditório. Ao longo
do desfile, no entanto, o público foi perdendo a empolgação.

No início do desfile, a escola enfrentou alguns
problemas com um de seus carros: a alegoria que relembra o Troféu
Imprensa ficou presa numa passarela na avenida Presidente Vargas.
As estatuetas tiveram que ser retiradas e depois remontadas, enquanto
a escola evoluía na Marquês de Sapucaí. Apesar dos percalços, a
escola terminou seu desfile dentro do tempo regulamentar.
A escola passou boa parte do desfile usando o prateado e o branco,
o que pode ter cansado um pouco o público. Quando a escola começou
a usar o colorido nos seus carros, como no "Domingo no parque",
as alegorias não tinham muita criatividade e também acabaram não
agradando.
O desfile contou com a participação de muitos
artistas do SBT, entre eles Hebe Camargo, Gugu Liberato, Carlos
Massa, Carla Perez e Babi.
Silvio estréia
no Sambódromo topando tudo com muita animação
Fernando Moreira
Quando Silvio Santos surgiu na concentração
- com um paletó de seda cinza e uma gravata prateada que custaram
R$ 2 mil - o público que se espremia às margens do canal da avenida
Presidente Vargas cantava: "o Silvio Santos vem aí, laia-lailaiá...!".
Hábil, ele logo se deu conta de que domingo é dia de programa, e
começou a comandar a platéia como se estivesse em mais de seus barulhentos
programas de auditório. Não faltou nem o Lombardi: foi ele quem
anunciou ao microfone o início da festa da Tradição, dando boas-
vindas ao patrão.
O público viu um Silvio calouro na avenida
e sem samba no pé, mas topando tudo
com animação. Ele dançou e, com a letra do samba na ponta da língua,
fez uma autobiografia em ritmo de carnaval. Na dispersão, o público
prestou mais uma homenagem ao ídolo: improvisou aviõezinhos de papel
e lançou-os na direção de Sílvio.
Um desfile em meio
a amigos fiéis
Roberta Carvalho
"Estamos aqui usufruindo
do sucesso do Sílvio".
A emocionada Hebe tinha razão. Se a estrela da noite era Sílvio
Santos, sempre aplaudido, seus amigos paulistas, aproveitaram para
se divertir muito. A apresentadora do Programa Livre, Babi, que
era uma das cinco madrinhas da bateria, podia não esbanjar samba
no pé, mas compensava na animação. Mesmo com medo do arranjo da
sua cabeça cair pulou o desfile inteiro.
Carla Perez, outra das madrinhas, chegou atrasada e teve correr
para alcançar a bateria.
O apresentador Carlos Massa, o Ratinho, reconheceu
que não sabia sambar. "Mas sei arrastar o pé, vou fazer uma
mistura de forró e samba", disse.
Agradou. Foi um dos mais aplaudidos na dispersão.
Já Gugu Liberato, que dançou o desfile inteiro, nem conseguia falar.
Apenas colocava a mão no sobre o coração e dizia que estava explodindo.
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