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De
joelhos, Luma e a bateria
são a redenção dos
pecados da Viradouro

Acompanhada pela madrinha
Luma de Oliveira, a bateria de Mestre Ciça ajoelhou várias vezes
no asfalto da Sapucaí. O gesto, ovacionado pelo público, pode ter
valido o desfile da escola, que levou para a avenida um desfile
animado, mas irregular. O enredo - os sete pecados capitais - foi
mostrado de forma um pouco confusa.
Os problemas na escola
de Niterói e São Gonçalo começou quando o carnavalesco foi demitido,
a dois meses do carnaval. Logo, uma comissão assumiu a função, fazendo
algumas mudanças nas alegorias. O público teve uma certa dificuldade
em identificar os pecados nos carros alegóricos: as alusões à mitologia
grega eram muitas, às vezes demais. A confusão pode prejudicar a
escola, que corre o risco de perder pontos nos quesitos enredo e
alegorias e adereços.

A comissão de frente
formada por 15 bailarinos - um homem e 14 tentações - empolgou o
público das arquibancadas do setor 1, ainda na concentração. Os
integrantes foram recebidos com gritos de "é campeã!".
Polêmica
antes do carnaval, a alegoria Preguiça trazia, em seu desenho original
imagens de índios e baianos. Várias entidades ameaçaram processar
a escola, que optou por mostrar uma rede, relógios e um menino com
cara de sono.
A
Viradouro também enfrentou problemas no carro de som, onde Salgadinho,
do grupo Katinguelê, ajudava a puxar o samba: um dos microfones
quebrou e o som ficou muito baixo durante alguns momentos. O defeito
logo foi consertado e não deve prejudicar a escola.
Simone
Pereira, segunda
porta-bandeira da escola, desfilou grávida de oito meses, ao lado
do mestre-sala Alexandre, que é seu primo. Para completar o clima
familiar, o marido de Simone fez seu primeiro desfile como novo
diretor de harmonia escola de Niterói.
A
atriz Paula Burlamaqui, que desfila há cinco anos na escola, ia
sair no carro Luxúria, mas preferiu abrir mão da posição, por não
ter participado dos ensaios. Paula acabou saindo no chão, ao lado
do presidente da escola, Carlos Monassa.

A rainha da Sapucaí
Roberta Carvalho
A
melhor definição da performance de Luma como rainha da bateria da
Grande Rio foi de seu marido, o empresário Eike Batista: "Ela
deu um show". A cada aceno da musa o publico gritava, cantava,
batia palmas. O desfile era dela. Sempre modesta, ao ser perguntada
se este tinha sido seu melhor desfile, Luma afirmou que a bateria
da Viradouro é que é a melhor. "Mestre Ciça se superou. Quando
a bateria abaixou, conquistou o público", disse.
"Não sou uma pessoa pública, sou empresária
e só apareço no carnaval. Mas mesmo assim a platéia responde ao
meu apelo como se me visse todos os dias", constatou Luma,
e completou: "acho que as pessoas se identificam com quem gosta
de samba".
Foi para que o marido tivesse idéia do que
é essa emoção que Luma sempre quis que ele fosse ao desfile. "Não
é pra ele me ver bonita, porque isso ele vê nas fotos. Queria que
ele sentisse o carinho com que sou tratada, como sou bem-vinda na
avenida". Casados há 10 anos, Eike se arrependeu de não ter
assitido ao desfile da esposa antes. "Que bobo eu fui. Gostei
tanto que se a escola for campeã, no sábado eu volto", prometeu.

De
joelhos e com Luma, a bateria foi o
destaque do desfile
Viviane
Rosalem
Ponto alto do desfile da Viradouro, a coreografia
da bateria da escola empolgou o público e surpreendeu tanto quem
estava na arquibancada, como quem estava nos camarotes. Por sete
vezes, os 300 componentes da bateria se ajoelharam na Marquês de
Sapucaí, ficando parados durante 38 segundos e arrancando aplausos
da platéia.
A madrinha da bateria, Luma de Oliveira, que
personificou a lúxuria, também abaixava, complementando a coreografia.
Segundo o diretor da bateria, Moacir Pinto, mais conhecido como
mestre Ciça, os componentes passaram seis meses ensaiando. Também
treinaram uma batida diferente para apresentar no desfile da escola
cada vez que paravam:
- Tive um pouco de medo de atrasar o desfile
com a inovação na bateria, mas preferi arriscar. Achei que daria
certo.

Sem
lenço, sem documento e de seios de fora
Fernando
Moreira
Ontem, um grupo de turistas ficou sem desfilar pela Tuiuti e viu
o sonho de percorrer a avenida terminar na concentração, por conta
das fantasias que não ficaram prontas a tempo. Hoje, foi a vez duas
modelos, uma paraguaia e uma brasileira, terminarem a noite decepcionadas.
A modelo Patricia Gadea saiu de Assunção na esperança de brilhar
no carnaval carioca. Por uma fantasia cheia de plumas que deixaria
os seus seios de fora e pelo lugar de destaque em um dos carros
da Viradouro, a paraguaia pagou cerca de R$ 6 mil. Ao chegar para
desfilar, foi informada pela diretoria da escola que não havia vaga
no carro. Na mesma situação ficou a modelo Ana Alice Nicolau, catarinense
de Blumenau.
Os diretores da escola afirmaram que tentaram deslocá-las para
o carro Ira, mas lá também não havia vagas. Quando decidiram desfilar
no chão, as duas foram impedidas com truculência pelos seguranças
da Viradouro, sob a alegação de que a escola perderia pontos. Um
cordão humano foi armado rapidamente para impedir a entrada das
destaques.
- Estou decepcionada, não pensei que seria tão maltratada aqui
no Rio - desabafou Patricia.
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