De joelhos, Luma e a bateria
são a redenção dos
pecados da Viradouro

Foto de Marcia Foletto

Acompanhada pela madrinha Luma de Oliveira, a bateria de Mestre Ciça ajoelhou várias vezes no asfalto da Sapucaí. O gesto, ovacionado pelo público, pode ter valido o desfile da escola, que levou para a avenida um desfile animado, mas irregular. O enredo - os sete pecados capitais - foi mostrado de forma um pouco confusa.

Os problemas na escola de Niterói e São Gonçalo começou quando o carnavalesco foi demitido, a dois meses do carnaval. Logo, uma comissão assumiu a função, fazendo algumas mudanças nas alegorias. O público teve uma certa dificuldade em identificar os pecados nos carros alegóricos: as alusões à mitologia grega eram muitas, às vezes demais. A confusão pode prejudicar a escola, que corre o risco de perder pontos nos quesitos enredo e alegorias e adereços.

Foto de Marcelo Sayão

A comissão de frente formada por 15 bailarinos - um homem e 14 tentações - empolgou o público das arquibancadas do setor 1, ainda na concentração. Os integrantes foram recebidos com gritos de "é campeã!".

Foto de Ricardo LeoniPolêmica antes do carnaval, a alegoria Preguiça trazia, em seu desenho original imagens de índios e baianos. Várias entidades ameaçaram processar a escola, que optou por mostrar uma rede, relógios e um menino com cara de sono.

A Viradouro também enfrentou problemas no carro de som, onde Salgadinho, do grupo Katinguelê, ajudava a puxar o samba: um dos microfones quebrou e o som ficou muito baixo durante alguns momentos. O defeito logo foi consertado e não deve prejudicar a escola.

Simone Pereira, segunda porta-bandeira da escola, desfilou grávida de oito meses, ao lado do mestre-sala Alexandre, que é seu primo. Para completar o clima familiar, o marido de Simone fez seu primeiro desfile como novo diretor de harmonia escola de Niterói.

A atriz Paula Burlamaqui, que desfila há cinco anos na escola, ia sair no carro Luxúria, mas preferiu abrir mão da posição, por não ter participado dos ensaios. Paula acabou saindo no chão, ao lado do presidente da escola, Carlos Monassa.



A rainha da Sapucaí

Roberta Carvalho

Foto de Ivo GonzalezA melhor definição da performance de Luma como rainha da bateria da Grande Rio foi de seu marido, o empresário Eike Batista: "Ela deu um show". A cada aceno da musa o publico gritava, cantava, batia palmas. O desfile era dela. Sempre modesta, ao ser perguntada se este tinha sido seu melhor desfile, Luma afirmou que a bateria da Viradouro é que é a melhor. "Mestre Ciça se superou. Quando a bateria abaixou, conquistou o público", disse.

"Não sou uma pessoa pública, sou empresária e só apareço no carnaval. Mas mesmo assim a platéia responde ao meu apelo como se me visse todos os dias", constatou Luma, e completou: "acho que as pessoas se identificam com quem gosta de samba".

Foi para que o marido tivesse idéia do que é essa emoção que Luma sempre quis que ele fosse ao desfile. "Não é pra ele me ver bonita, porque isso ele vê nas fotos. Queria que ele sentisse o carinho com que sou tratada, como sou bem-vinda na avenida". Casados há 10 anos, Eike se arrependeu de não ter assitido ao desfile da esposa antes. "Que bobo eu fui. Gostei tanto que se a escola for campeã, no sábado eu volto", prometeu.



De joelhos e com Luma, a bateria foi o
destaque do desfile

Viviane Rosalem

Ponto alto do desfile da Viradouro, a coreografia da bateria da escola empolgou o público e surpreendeu tanto quem estava na arquibancada, como quem estava nos camarotes. Por sete vezes, os 300 componentes da bateria se ajoelharam na Marquês de Sapucaí, ficando parados durante 38 segundos e arrancando aplausos da platéia.

A madrinha da bateria, Luma de Oliveira, que personificou a lúxuria, também abaixava, complementando a coreografia. Segundo o diretor da bateria, Moacir Pinto, mais conhecido como mestre Ciça, os componentes passaram seis meses ensaiando. Também treinaram uma batida diferente para apresentar no desfile da escola cada vez que paravam:

- Tive um pouco de medo de atrasar o desfile com a inovação na bateria, mas preferi arriscar. Achei que daria certo.



Sem lenço, sem documento e de seios de fora

Fernando Moreira

Ontem, um grupo de turistas ficou sem desfilar pela Tuiuti e viu o sonho de percorrer a avenida terminar na concentração, por conta das fantasias que não ficaram prontas a tempo. Hoje, foi a vez duas modelos, uma paraguaia e uma brasileira, terminarem a noite decepcionadas.

A modelo Patricia Gadea saiu de Assunção na esperança de brilhar no carnaval carioca. Por uma fantasia cheia de plumas que deixaria os seus seios de fora e pelo lugar de destaque em um dos carros da Viradouro, a paraguaia pagou cerca de R$ 6 mil. Ao chegar para desfilar, foi informada pela diretoria da escola que não havia vaga no carro. Na mesma situação ficou a modelo Ana Alice Nicolau, catarinense de Blumenau.

Os diretores da escola afirmaram que tentaram deslocá-las para o carro Ira, mas lá também não havia vagas. Quando decidiram desfilar no chão, as duas foram impedidas com truculência pelos seguranças da Viradouro, sob a alegação de que a escola perderia pontos. Um cordão humano foi armado rapidamente para impedir a entrada das destaques.

- Estou decepcionada, não pensei que seria tão maltratada aqui no Rio - desabafou Patricia.